"Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco sou cristão"

Palavra do Bispo

Palavra do Bispo


ORIENTAÇÕES PASTORAIS AOS  CLÉRIGOS E LEIGOS(AS) NESSE TEMPO DE CAMPANHA ELEITORAL - DIOCESE DE VALENÇA

Queridos irmãos e irmãs, deu-se no dia 16/08 a largada para a campanha eleitoral. Desejamos a todos que irão trabalhar nas campanhas, um ótimo trabalho e que seja fecundo cada esforço desempenhado, sempre na direção do bem comum, que é o fim de todo ato político.

Para que estejamos em plena comunhão com a Igreja Diocesana, precisamos lembrar a todos as nossas orientações Diocesanas.

É de notório conhecimento de todos, o fato de que a Igreja Católica, em conformidade com a Legislação eleitoral do país não admite a realização de campanha eleitoral dentro de suas instalações (templos, salões paroquiais, pátios, corredores, etc...). Portanto, ninguém está autorizado a panfletagem ou outra ação que venha a se equiparar, nem mesmo, DAR O USO DA PALAVRA a qualquer candidato dentro das instalações eclesiásticas, sob pena de estar indo contra às orientações da Igreja Diocesana e da legislação eleitoral vigente em nosso Brasil. Como Bispo diocesano, gostaria de objetivar em cinco (05) orientações precisas para esse momento que devem nortear a nossa militância política ou partidária:

1- Que blindemos nossas Igrejas, pastorais, movimentos e associações dos cabos eleitorais oportunistas que, sem critérios e por interesses antipolítica, ou seja, interesses particulares se aproximam neste período, tentando introduzir na vida da comunidade, candidatos até então desconhecidos em nossas regiões pastorais, com promessas que não têm nenhuma relação com a Doutrina Social da Igreja.

2- Não podemos, com isso, nos omitir, enquanto cidadão, do debate social/político tão importante, suscitado nesse momento lastimável em que vive a política, seja no cenário nacional, seja no cenário estadual. Proponho, como expressão do protagonismo profético de cada leigo e leiga, que se possa, de maneira organizada e criteriosa, utilizar os espaços privados, tais como as residências, comércios, praça próximo as casas para conhecer e debater as propostas do candidato e do seu respectivo partido - lembrando que não existe candidato avulso, sem comprometimento com o partido; seja isso realizado em roda de conversas, bate papo, um café da manhã com os eventuais candidatos de bem e os nossos amigos, familiares e vizinhos. Onde não apenas eles falem, mas que ouçam os apelos de toda comunidade. E, assim, trazer nossos candidatos para um diálogo franco: cara a cara com o povo.

3- Lembramos a importância da formação ás nossas lideranças, tendo como base a cartilha da CNBB *"os Cristãos e as eleições de 2018". Deve-se estar em unidade com o Pároco local para junto com ele discernir formas de ação formativa e mantê-lo informado dos resultados.

4- Pede-se estar atento a vida pregressa do candidato para que, não venhamos a apoiar, sobretudo como cabo eleitoral, pessoas que sejam:
- ficha suja,
- Que defenda o aborto, a ideologia de gênero, legalização das drogas e que esteja envolvido em algum esquema de corrupção.
- Que seja a favor do Ensino religioso nas escolas públicas.
- Não é digno apoiar candidatura de quem esteve ligado a políticos que, na sua história, não importaram-se com o desmando e descaso do nosso Estado para com o funcionalismo público: ativos, aposentados e pensionistas, vividos até pouco tempo atrás.

5- A Igreja Diocesana não assume nenhuma candidatura, seja de candidato, seja de partido; mas incentiva os cristãos leigos e leigas à conscientização Política e aqueles que têm vocação para a militância político-partidária, a se lançarem candidatos. Nós, Cristãos, não apenas podemos, mas temos a obrigação moral de participar mais ativamente desse debate político/eleitoral; afinal, todas as questões sociais dependem de ações políticas. Por isso, devemos atuar sempre em busca da vida plena para todos e não para um Grupo de privilegiados. Temos que ter muito cuidado com os fakes News que caluniam e destroem com mentiras as pessoas sérias através das redes sociais.

Lembremos-nos do lema do Ano Nacional do Laicato, neste ano de 2018, para que possamos ser, de fato, "Sal da terra e Luz do Mundo"( Mt 5,13-14). Por isso, Podemos trabalhar tranquilamente e bem alicerçados na Doutrina Social da Igreja, traçando estratégias que venham de encontro com as orientações diocesanas, afim de que sejamos felizes nos resultados nesse tempo de campanha eleitoral, onde temos apenas 45 dias de trabalho pela frente em prol do sonho e da esperança de nosso povo, sobretudo, dos mais sofridos. Portanto, cada minuto é importante nessa luta pelo bem comum.

Sejamos acima de tudo *artífices da unidade e testemunhas de Jesus Cristo neste meio, para que as pessoas possam voltar a ver a democracia como algo bom para sociedade e que a esperança por dias melhores volte a pulsar nos corações de todos.

Dom Nelson Francelino Ferreira
Bispo Diocesano